Tudo que você precisa saber sobre a carreira no mercado de seguros

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Em momentos de instabilidade financeira, muitos pré-vestibulandos ficam inseguros sobre em qual área investir e se aprimorar, com receio de não ter feedback . Se esse for o seu caso, já pensou no ramo de gestão de seguros? Esse é um mercado que está em constante saldo positivo, devido à atividade de gerenciamento de riscos, que nada mais é do que uma transferência de perigos. A seguir você terá se preparar para seguir a profissão e estar sempre se atualizando. Neste artigo, vamos mostrar a origem do mercado de seguros, suas características atuais, quais os benefícios de seguir a carreira e como alcançá-la. Confira a seguir as respostas das 11 perguntas mais feitas por quem se interessa pela profissão!

1. Qual a história do mercado de gestão de seguros?

Você deve imaginar como aquele dito popular “é melhor prevenir do que remediar” é antigo, não? Saiba que a ideia de criação do seguro é praticamente da mesma época — e não tão moderna como muitas pessoas imaginam.

O ser humano sente a necessidade de se proteger de riscos e tem medo do desconhecido e da imprevisibilidade do futuro desde sempre. O pavor da perda de bens conquistados o levou a pensar em formas de proteção, tanto para o patrimônio quanto para si próprio. Assim surgiu a ideia de seguro, que desde de seu aparecimento até a contemporaneidade vem se modificando e aprimorando.

2. Quais foram os primeiros tipos de seguros existentes?

Os primeiros seguros existentes vieram de acordos dos babilônios, hebreus e fenícios. Os três povos perceberam que era fundamental proteger os patrimônios durante expedições e criaram o hábito de fazer simples acordos que cobriam perdas.

Os cameleiros da Babilônia cruzavam o deserto em bandos para comercializar seus animais nas civilizações mais próximas. Devido aos problemas e às ameaças da travessia, como o adoecimento ou o desaparecimento das mercadorias, instituíram um pacto: cada homem do grupo que tivesse tal prejuízo tinha o direito de receber outro animal restituído pelos demais cameleiros.

Outros povos da antiguidade, como hebreus e fenícios, que se arriscavam em grandes navegações e enfrentavam os perigos das travessias entre os mares Egeu e Mediterrâneo, também sentiram a necessidade de garantir seus bens. Dessa forma, surgiu o seguinte acordo: quando alguma embarcação era perdida durante a viagem, os outros navegadores garantiam o pagamento e a construção de outra.

3. Quais são os principais vocabulários da área de seguros?

Atualmente existem diversos tipos de seguro para inúmeros itens. Os mais comercializados estão relacionados a automóveis, a habitações e à saúde. Dessa forma, cada um deles pode apresentar vocabulários particulares da modalidade, mas muitos são comuns para todos os setores do mercado. Conheça os principais:

  • acidentes pessoais de passageiros: ocorrência grave e repentina, a qual gera prejuízos físicos como consequência direta a morte ou a invalidez permanente, total ou parcial, do segurado;
  • apólice: documento formalizando o contrato de seguro e a aceitação do risco por parte da seguradora, em que constam os dados do segurado e todas as informações de cobertura de risco, assim como do patrimônio;
  • avaria: usado para se referir aos danos ao patrimônio segurado. Vale citar também o termo “avaria prévia”, a qual já era existente no objeto segurado antes da contração e que por esse motivo não é coberto;
  • bônus: refere-se ao desconto dado ao segurado no momento da renovação do serviço quando não houve sinistro durante a vigência do contrato anterior, transferência de direitos e obrigações ou suspensão da apólice;
  • classe de localização: este termo incorpora apenas seguros relacionados a veículos. Seu significado é a área definida para a taxação do risco, a qual deve ser onde o veículo circula 85% do tempo da semana. Caso ele não se enquadre em uma única localização, fica definido como classe de maior risco;
  • danos: esse termo dentro do mercado de seguros é dividido em corporal, onde lesões exclusivamente físicas são causadas a uma pessoa durante um acidente; estético, quando o dano físico não interfere no funcionamento do organismo, mas altera a estética de uma pessoa; material, estrago causado exclusivamente a um bem material; e moral, quando existe ofensa ou violação de princípios referentes a liberdade, honra, sentimentos e dignidade da pessoa ou sua família, ou seja, qualquer dano não suscetível de valor econômico;
  • dolo: ato de má-fé para tirar proveito da indenização do seguro, como simular o roubo de um veículo para ser indenizado;
  • endosso: documento emitido quando, durante a vigência da apólice, há alterações no contrato concordadas tanto pela seguradora quanto pelo segurado;
  • franquia: taxa obrigatória arcada pelo cliente, definida em reais (R$) na apólice, em cada acontecimento e cobertura pela segurado. O caso não se aplica a prejuízos originários de raios e em indenização integral, quando as despesas representam 75% ou mais do valor contratado;
  • indenização: valor referente à compensação financeira pelo patrimônio atingido. No mercado de seguros, esse termo vem sempre acompanhado da palavra “integral”, quando o prejuízo é igual ou maior que 75% do valor do bem segurado, ou da palavra parcial, quando o bem foi atingido em menos de 75% do seu valor e pode ser reparado;
  • limite máximo de indenização (LMI): maior valor lidado pela seguradora em um risco coberto, apresentado no contrato do serviço;
  • prêmio: valor pago pelo cliente à seguradora para utilizar o serviço quando necessário, garantindo que seja indenizado;
  • questionário de avaliação do risco: relatório com perguntas respondidas pelo futuro segurado, as quais devem ser respondidas com clareza e honestidade. O documento é um dos determinantes do prêmio do seguro;
  • salvados: itens sem avarias resgatados de um sinistro e que possuem valor econômico. Tais bens não entram no cálculo do sinistro, assim como bens parcialmente danificados não são incluídos integralmente;
  • segurado: pessoa (física ou jurídica) que está exposta à riscos e contrata o serviço. A qual a seguradora assume a responsabilidade dos riscos acordados e indeniza quando for o caso. Esse termo pode ser substituído por beneficiário;
  • seguradora: empresa ou pessoa jurídica que emite a apólice e assume os riscos do segurado, cumprindo a indenização na ocorrência de um dos eventos acordados;
  • sinistro: acontecimento de um fato garantido e indenizável, previsto no contrato. Chama-se de “aviso de sinistro” o momento onde a ocorrência é comunicada por meio de ligação ou formulário específico;
  • terceiro: pessoa culpada ou prejudicada no acidente, exceto cônjuge, irmãos e pessoas que dependam dele economicamente;
  • vistoria prévia: quando um responsável da seguradora verifica as características e o estado do patrimônio antes da contratação, ou seja, da transferência de risco;
  • vistoria de sinistro: quando peritos habilitados verificam, por ordem da seguradora, a condição do patrimônio após determinado evento para estipular o sinistro, danos e prejuízos.

Parece difícil de decorar todos? Já avisamos que existe muito mais! Mas mantenha a calma que, convivendo diariamente com o mercado, eles ficarão na ponta da língua!

4. O que se estuda no curso em gestão de seguros?

Durante o curso de gestão de seguros o aluno terá acesso a conteúdos teóricos, práticos e instrumentais relacionados à administração contemporânea e a matemática financeira, já que a função do profissional nesse mercado envolve organização e gestão de serviços. Dessa forma, o estudante aprende sobre contratos, gestão comercial, tecnologia e processos.

A outra parte da matriz curricular está relacionada de forma mais direta com o setor de seguros. Nesse momento, o aluno terá disciplinas de legislação e vendas com características específicas do mercado estudado. Assim como gestão de equipes, técnicas de venda e consultoria, regulação de sinistros, teoria de seguros, cálculo de provisões, gerenciamento de riscos e desenvolvimento de produtos.

Durante o curso, também há matérias sobre áreas específicas, como seguro de vida, planos de saúde e seguro de transportes.

Lembre-se: independentemente da grade de matérias do curso, se a faculdade permitir, tente puxar disciplinas de outros cursos que possam melhorar o seu currículo. Se não for o caso, invista em cursos complementares, presenciais ou online. Pense também na possibilidade de aprender um segundo idioma ou aprimorar seus conhecimentos em informática.

5. Quais as vantagens de escolher uma carreira em gestão de seguros?

Ao escolher está carreira, o profissional terá uma visão generalista, estrategista e competitiva, o que trará uma gama de oportunidades do mercado, o qual é multitarefas. O gestor poderá atuar tanto na área administrativa como em vendas, marketing e recursos humanos.

Dentro do próprio mercado de seguro existem diversos âmbitos de atuação, não só no que diz respeito às modalidades de seguro citadas anteriormente, mas em áreas como o setor previdenciário.

Outra vantagem de optar pela carreira é a flexibilidade de horário que ela oferece e a possibilidade de remuneração adequada à produtividade, o que é raro principalmente aos iniciantes na carreira.

6. Quais são as habilidades que um profissional desta área deve desenvolver?

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Primeiramente, como já dito anteriormente, o gestor de seguros deve ser qualificado e estar constantemente se atualizando. Isso inclui analisar tendências e estatísticas de uma ocorrência específica, como incêndios, acidentes de carro, entre outros. Assim, o profissional consegue utilizar essas informações para criar tabelas de probabilidade e previsão de riscos, o que contribuirá para o desenvolvimento de produtos, definição de valores e argumentos no momento da venda.

Estar por dentro da ideia de risco deve ser obrigação de toda a equipe, desde os gerentes até os vendedores. Ao avaliar riscos corretamente, evita-se que a seguradora tome para si aqueles desnecessários e que podem acarretar em grandes prejuízos, por exemplo.

Outra habilidade quase que obrigatória aos profissionais da área é saber como utilizar a tecnologia seu favor no momento de analisar dados. Ou seja, nada de anotações e análises feitas à mão ou em planilhas do Excel.

O gestor deve estar equipado de conhecimentos teóricos, jurídicos e de gestão administrativa, pois só assim ele estará apto a gerenciar equipes comerciais e técnicas, formular estratégias de diminuição de riscos e realizar cálculos para desenvolver planos de seguro. Vale lembrar também que profissionais que falam inglês tendem a se destacar, já que têm uma noção do que acontece nos setores da economia mundial.

Por último, mas não menos importante, uma rede de contatos pode ser essencial para se manter informado e conquistar novos clientes. Sendo assim, é importante que o gestor de seguros tenha uma boa comunicação para gerar e fechar negócios, assim como para frequentar eventos e realizar networking. Nesse momento também entra a necessidade de saber como tirar proveito da tecnologia. Aptidão em redes sociais e marketing digital são características muito atrativas em profissionais da área.

7. Em quais áreas um profissional da gestão de seguros pode atuar?

Basicamente, o gestor de seguros pode atuar como analista, consultor ou gestor. Como o mercado de seguros é bastante abrangente, essas três categorias envolvem inúmeras subáreas. Normalmente, ss vagas nessas áreas de atuação são oferecidas por empresas que tratam diretamente com créditos, seguros e previdência. Ou seja, seguradoras, bancos, instituições de crédito e empresas de inspeção de riscos e regulação de sinistros.

Dessa forma, o profissional analisa propostas de seguros, laudos de inspeção, averigua riscos, realiza estimativas e condições de taxas e controla a emissão de endossos de apólices conforme as regras internas e legislações referentes ao mercado. Na maioria das vezes, essas operações envolvem seguro de imóveis, automóveis, convênios médicos e odontológicos, mercadorias, entre outros.

Além dessas possibilidades, o gestor pode trabalhar para diferentes tipos de organizações e empresas administrando o departamento de gerenciamento de riscos. Nessa opção, o profissional pode abrir seu próprio escritório e prestar consultorias ou ser contratado como funcionário da companhia.

Apesar do número vasto de oportunidades e atuações, é recomendado não tentar operar todas ao mesmo tempo. A melhor opção é estudar e entender os objetivos e projeção de cada uma e escolher aquela de maior interesse para se especializar.

8. Quanto ganha um profissional de gestão de seguros?

A remuneração de um profissional da área de gestão de seguros varia conforme o porte da empresa (pequena, média e grande) e da experiência profissional do gestor (trainee, júnior, pleno, sênior e máster). Na maioria das vezes, o pagamento consiste em um salário fixo e comissões por negócios fechados, se for o caso do setor de atuação.

Segundo informações retiradas do SINE (Site Nacional de Empregos), o salário dentro de uma pequena empresa pode variar (de acordo com a experiência) entre R$1.810 e R$4.420, enquanto que em uma média varia entre R$2.354 e R$5.747. Já em uma grande empresa, os profissionais recebem entre R$3.060 e R$7.471.

Ou seja, um profissional recém-formado consegue entrar no mercado de seguros ganhando entre R$1.810 e R$3.060, o que é uma enorme vantagem em relação ao início da carreira em outras profissões.

9. Quais são os desafios da área de gestão de seguros?

Assim como qualquer carreira, a gestão de seguros também tem seus desafios e complexidades. Uma das maiores é a competitividade. Para o profissional estar em destaque no mercado e alcançar bons resultados, é essencial que ele esteja em constante aperfeiçoamento, o que é atingido por meio da participação em congressos, feiras e workshops. Além do mais, a presença nesse tipo de eventos leva ao encontro com outros profissionais, aumentando a chance de estabelecer conexões e parcerias que, mesmo que no momento não pareçam tão interessantes, podem render ótimos negócios no futuro.

Dentro do escritório (ou da empresa), o desafio também está relacionado ao ato de lidar com pessoas, mas dessa vez com a clientela. Os gestores, principalmente aqueles responsáveis pelas vendas, devem criar empatia e ganhar a confiança do cliente especulando e reconhecendo necessidades físicas e psicológicas daquele que tem interesse em ser segurado, como quais itens influenciam suas decisões.

Independentemente de estar dentro ou fora do horário de trabalho, é essencial que o profissional cuide e invista em sua imagem pessoal. Isso não envolve apenas se vestir de modo adequado, mas principalmente ter uma boa conduta e utilizar vocabulário específico da área (como aqueles já citados). Vale também ter atenção com as redes sociais. Tais comportamentos transmitem seriedade e podem ser de grande valia no momento de conquistar clientes.

Outro grande desafio, esse mais voltado para seguradoras, é garantir que o dinheiro arrecadado por meio dos prêmios seja o suficiente para repor o ressarcimento de segurados que passaram por danos e perdas e, obviamente, obter lucros. Para conseguir esse resultado os profissionais envolvidos devem desenvolver estratégias para minimizar riscos, analisar minuciosamente os bens que serão segurados, calcular provisões, monitorar e assessorar profissionais das áreas comerciais e técnicas e elaborar planos de seguros e novos produtos.

Para superar todos os desafios, o ideal é que o gestor conserve números do seu próprio desempenho e mensure os resultados. Fazendo isso, o profissional consegue identificar quais métodos e atitudes estão sendo positivas, para assim desenvolvê-las ainda mais, e levantar o que não está dando tão certo, para deixar de colocar em prática ou definir novas estratégias.

10. Como está o mercado de trabalho da área de gestão de seguros?

O mercado de trabalho no setor de seguros está aquecido, pois passou por um grande crescimento nas últimas décadas e tudo indica que continuará em desenvolvimentos nos próximos anos, constituindo, no mundo todo, uma indústria multimilionária. Esse cenário favorável é resultado da diversificação dos serviços ofertados e o aumento da inquietação e cuidado das pessoas com seu patrimônio e seu futuro.

Essa indústria inclui empresas e desenvolvedores de políticas de seguros, os quais atuam na venda, administração e regulação desses serviços. Como o mercado está em alta, a demanda por profissionais que constituem esse setor multimilionário também está. Segundo o ex presidente do SINCOR-SP (Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado de São Paulo), a tendência é que os profissionais mais requisitados sejam das áreas técnica e comercial.

11. Qual a perspectiva de crescimento para o mercado de seguros no Brasil?

Atualmente, o mercado de seguros é um dos que mais cresce no país. De acordo com o estudo da Deloitte Touche Tohmatsu, em 2011 o setor já movimentava mais de 61 bilhões de reais e este número continuou expandindo. Isso porque, segundo Nicholas Weiser, CEO da Vis Corretora, seguradoras e corretoras são as empresas que apresentam maiores desempenhos durante crises econômicas.

De acordo com a mesma pesquisa, o fato levou a abertura de empresas de diferentes portes no Brasil, incluindo grandes seguradoras internacionais, startups e pequenos empreendimentos. No caso das startups, são empresas inovadoras com custo de manutenção baixo, segundo o Sebrae. Sendo assim, a demanda por profissionais foi acelerada. Hoje, é uma das áreas que mais detêm profissionais, o que também impactou na remuneração.

É possível visualizar o crescimento por meio da representação no PIB do país. Em 2011, a porcentagem do setor de seguros não chegava nem a 3% e, para 2020, a projeção chega a 6,9%, de acordo com a CNseg. Segundo Weiser, o Brasil está seguindo em direção aos números dos Estados Unidos e na Europa, os quais representam até 20% do PIB.

Achou uma boa ideia seguir a carreira de gestão de seguros? Se sim, uma dica é pesquisar ainda mais sobre o assunto. Você pode fazer isso por meio de testes vocacionais (online e presenciais), conversando com profissionais que já atuam na área e conhecendo faculdades que oferecem o curso. Nesse último caso, inclui dialogar com outros estudantes e questioná-los a respeito das matérias, dificuldades e quais áreas pretendem seguir depois de formados.

Vale também pedir para as pessoas com as quais você tem mais intimidade e mais o conhecem para apontar suas principais habilidades, pois assim você poderá comparar com aquelas requeridas pelo mercado de seguros. Quanto mais você souber sobre a profissão, mais perto você estará de ter certeza sobre qual carreira seguir.

Chegamos ao fim deste post. Agora, que tal mostrar mais uma possibilidade de profissão para aqueles amigos que também estão em dúvida sobre qual carreira seguir? Você pode ajudá-los! Compartilhe este conteúdo nas redes sociais e até a próxima!

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